quinta-feira, 1 de setembro de 2016

POR QUE OS JOVENS FAVELADOS SÃO ATRAÍDOS PARA O TRÁFICO?


1. Facilidades.
            1. a) Facilidade para adquirir drogas e armas; as armas e as drogas entram com muita facilidade nas favelas. Ninguém explica como isso acontece, muito menos consegue evitar. Se as armas e as drogas não chegassem nas favelas, evidentemente jamais chegariam às mãos destes jovens.
            1.b) Facilidade para vender drogas: a demanda é muito grande. Se não houvesse tamanha procura não haveria tanta oferta; Há muitos usuários de drogas em nossas cidades. São estes usuários que aquecem o mercado e alimentam o tráfico.
            1. c) Facilidade de entrar no mercado varejista; quem quiser ingressar na carreira do tráfico é só se apresentar; ficar junto dos que já estão envolvidos; daqui a pouco começa naturalmente a ser recrutado.

2. Dificuldades.
            2. a) Dificuldade de romper com a cultura da violência. O medo da figura do bandido e da polícia ao mesmo tempo. A constatação de que o policial desconhecido é de certa forma mais perigoso que o marginal conhecido.
            2. b) Dificuldade de viver com perspectiva; de ter um objetivo na vida; de enxergar a educação, a escola como fator de desenvolvimento.
            2. c) Dificuldade de conseguir um emprego ou uma carreira rentável.

3. Falta de oportunidades.
            3. a) Falta de oportunidades devido à baixa qualidade da educação que é oferecida; da desvalorização das escolas e dos profissionais da educação, causando desmotivação e perda da paixão pela carreira, por parte destes profissionais.
            3. b) Falta de oportunidades de treinamento, de qualificação para o mercado de trabalho.

O jovem completa 14, 15, 16, 18 anos, se não engravidou, não se amancebou, ou não foi preso, procura desesperadamente por qualquer meio de arranjar algum dinheiro. Os mais escrupulosos geralmente caem na informalidade, trabalhando em tendinhas, cobradores de passagens em vans ou kombis, vendedores ambulantes, serviços domésticos, flanelinhas, etc. Os que são absorvidos pelo mercado formal vão trabalhar em bares, padarias, supermercados. Os demais, uma pequena parcela, porém preocupante, são os que cairão na prostituição e na criminalidade para sobreviver.
A população carcerária atualmente é constituída de 711.463 presos. A maioria jovem, 58% na faixa de 18 a 29 anos; 77% de pardos e negros; 84% semi-alfabetizados, não chegaram a concluir o nível fundamental; egressos das favelas e das periferias.
            A situação tende a se agravar, pois nenhuma medida é tomada, a fim de efetivamente reverter o quadro catastrófico supra apresentado.
            Investimento na área de inteligência da Polícia Científica é irrisório. Há um estado de abandono e desaparelhamento que beira à irresponsabilidade.
            Não se cogita em conscientização sobre os danos causados pelas drogas, ao contrário, há uma verdadeira apologia ao seu consumo, retroalimentando a violência que lhe é peculiar.
            O descaso com a formação juvenil é crônico. Quando alguma coisa é feita no sentido de amenizar a situação, logo é tomado como propaganda demagógica de partidos políticos oportunistas, causando repulsa por parte do cidadão comum, inviabilizando seu implemento.
A estigmatização da figura do policial e do bandido. O primeiro não recebe treinamento adequado, trazendo para o exercício da atividade toda a carga de preconceito, recebido durante sua má-formação. O segundo, normalmente oriundo dos guetos, é retratado como produto do meio, não no sentido de ser resgatado, ou de romper com o círculo vicioso de miséria e banditismo. Antes, pelo contrário, tal entendimento acarreta em preconceito contra todos os que são forçados, por falta de opção causada por uma falha na política habitacional, a habitarem em condições e ambientes precários, também conhecidos pelo termo politicamente correto de áreas de risco social.
Daí o policial costumeiramente leva a pecha de “bandido de farda”, enquanto o favelado, por ser favelado, é tido por esses mesmos policiais e por quem mora em seus condomínios de luxo como “bandidos” em potencial.
Por fim, o uso político da miséria, sem a qual muitos partidos ou políticos de carreira perderiam a razão de existir, perpetuando o problema, embaraçam qualquer tentativa no sentido de solucionar o problema.
Para isso, não é apresentada nenhuma medida efetiva no sentido de valorizar a Educação, atualizando, adaptando ou modernizando os imóveis escolares já existentes. Ao contrário, muitos se encontram em estado de abandono e falta de manutenção e modernização, preferindo-se construir novas unidades, atendendo a interesses de empreiteiras e financiadores de campanhas eleitoreiras, sem, no entanto investir em pessoal, figurando estas, no decorrer do tempo, na estatística dos prédios escolares condenados ao sucateamento.
Para completar o quadro sombrio de perenidade da degradação social, soma-se um proposital desinteresse na qualidade da formação cultural e intelectual dos estudantes, optando por um currículo pobre, vazio de conteúdo, carregado de discursos ultrapassados e discussões intermináveis e estéreis.
Assim, os que desejam romper com essa casca de embrutecimento calculado, tornam-se autodidatas ou candidatam-se a uma vaga em alguma instituição estrangeira, quando tem condições para isso.
Esta é a triste realidade da juventude brasileira.

           

            

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